quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A culpa é do Medidor Orçamentista!

Não é que o escroto usou betão ciclópico no projecto????!!!
Não admito que projectem por mim!
Da arquitectura ao paisagismo, sem esquecer a estabilidade, tento fazer tudo. Até projectos de "sinalização" já fiz! Sou um homem dos sete ofícios. Tenho as veias do Arne Jacobsen a fluidez do Corbusier, mas insistem em tratar-me por da Zaha Hadid. Insistem sim! Os meus pais e alguns amigos, servos e até os clientes abrutalhados que arrotam dinheiro pelas entranhas. E saber que um medíocre medidor tinha incluído betão ciclópico no meu projecto deixou-me endemoninhado! Liguei-lhe, chamei-lhe nomes, exaltei-me com a sobrançaria de sempre. Não me soube responder. Gritei: sou eu que escolho as paredes da sala!! A cor!! Até o pé direito!! Se pensa que vai ser em betão ciclópico esqueça!! Vou forra-la a papel de parede ordinário com um padrão branco (em homenagem ao Pico branco) e rosa bacará. Energúmeno do estagiário!! diz-me que ciclópico é por ter grandes inertes quando eu tenho a certeza que é por ter só um olho!!! Como o José Cid ou o meu rabo. Se bem que poderia ter imensos olhos, mas Deus não quis aproveitar o espaço todo... enfim: vicissitudes da natureza. (Bolas.. com tremenda diarreia mental nem estou a ouvir o que este pascácio diz). Ora repita lá tudo outra vez sr. medidor pois este insecto que trabalha para mim diz que vou ter um inerte enorme na sala e já escolhi tudo no IKEA!! embora ache bué giro ter um plasma em cima do inerte...
Betão ciclópico em fundações??? Hummm.............................................
Depois ligo-lhe!! Mas isto não fica assim!! Porque eu é que sei com vai ficar!!
Muerda! Este atelier precisava de uma metamorfose. tenho que falar com o Kafka para saber como transformou o idiota do caixeiro em barata! fazia aqui uma limpeza! Deixava todos os estagiários de patas ao ar a espernear antes de os esmagar.....................
Já morreu???? Não morreu porque eu é que sei!!!!
Estúpidio do estagiário que me cansa o cérebro.........

Cenas do prostíbulo

Parte primeira
Sete e meia, talvez mais um pouco, mas raramente falha: "Vá vá! Tudo a mexer pois tenho que fechar a casa!". O grito de ordem, a voz de Frida (nome fictício escolhido por mim por lhe encontrar aspectos físicos de Frida Kahlo) ecoa em todas as salas. Sinto-me num bordel! Desentalo a cueca, arregaço a calça jeans, aperto o espartilho, besunto os lábios, ajeito o cabelo com a mão direita e apresso-me a segui-la, de chave em riste e andar pesado. Vá minhas putas, o vosso tempo acabou pois já digitei o código!
Já são sete e meia ou talvez mais um bocadinho. Atenção suas putas! desliguem rapidamente o computador porque vem aí a Frida....

MALDITO ARQUITECTO ESTAGIÁRIO !!!!!!!!

pois é embora ainda um pouco atordoado com alguns insucessos daquela obra ...(uma entre tantas) rápidamente se confortou com a larga imaginação que implacavelmente o consumia entre isolamentos térmicos e o nó de panca (o que seria aquilo... um nó na barriga!! uma obbestrução no intestino grosso ?? daí as ideias de merda tão frequentes nos ultimos tempos!!! enfim quando voltasse para lx teria que ir ao medico não fosse aquilo uma coisa má !!enquanto se lembrava das alcagoitas que tinha encontrado no taxi e todas tinha comido.....eram rumores demasiado evidentes que anunciavam a desgraça que se anunciava!!!!!!

Um estertor aqui uma bufa acolá era por demais evidente que a coisa estava preta!!!!!

De peito feito eis que se aventurou a visitar aquela casa de banho da pent-house e que no seu projecto tinha sido um« must» digno de qualquer revista da arte da arquitectura... aquela ideia para poupar espaço era realmente original e inovadora... o que diriam os seus colegas quando vissem tanta arte e tanto engenho....
Lá estava ela imponente ....o pvc do pavimento em mosaicos 30x30 com cagadelas de mosca sobre fundo verde garrafa e o plastico auto colante a revestir as paredes em vez dos tradicionais azulejos... eram flores multicolores em tons de laranja e rosa com pequenos pardais que esvoaçavam e técnologicamente avançados emitiam um chilrear doce como se na floresta o utente estivesse !!! lindo era mesmo lindo que bela ideia tinha sido..... o espaço...grande sim a banheira estava lá e o lavatorio encastrado naquela chapa de pedra imponente de parede a parede... mas o bidé e a sanita????? onde!! e então como passe de magica.... imponentes lá estavam eles debaixo do tampo do lavatório os dois lado a lado muito arrumadinhos libertando assim montes de espaço em toda a area....boa ideia aquela..brilhante de certeza que nunca a nenhum projectista teria ocorrido semelhante conceito.....era na verdade inovador....

de repente a tempestade abateu-se sobre ele,,, a furia dos gases....avançava ameaçadoramente os estrepidos eram violentos e continuos,,, silenciosamente ele avançava inexoravelmente tal como caterpillar no seu caminho desvastador.... as alcagoitas saltavam como pipocas...era o fim esperado.....finalmente o CROQUETE BEIJAVA A CUECA.............................

Desesperadamente o jovem tentava desembaraçar-se da roupa supérfula e que impedia o transito intestinal ( mesmo assim ainda lembrou aquelas boxers que a namorada lhe tinha oferecido aquando a entrega do diploma de arquitecto ... cintilantes cheias de corações vermelhos e labios languinosos e gulosos tais como os dela...que tantas vezes lhe tinham servido de guarida ao pajem que hoje estava mais para lá do que para cá!!!!!!!) tal qual um sinal de curva perigosa.

liberto da roupa finalmente... tentou todas as posições possiveis para utilizar a sanita... o espaço diminuto e inacessivel tolhiam-lhe os movimentos e as posições mais pareciam um manual experimental de kamasutra para as 1001 posições...finalmente depois desta luta impossivel deixou-se abater em cima do pvc 30x30 e o verde passou lentamente a castanho !

exausto e abatido prostado no pavimento penava e pensava pensava como tinha sido possivel....sim ...sim...de repente ergueu-se e exultante gritava filho da p.... maldito arquitecto estagiario... que me f..... a vida.... cab..de..m... etc etc etc... sim só podia ser ele... aquele do cantinho.. pequenino.... treco treco.....homem pequenino ou é velhaco ou dançarino!!! lembrava-se assim dos adagios pipolares que a sua mãe lhe tinha ensinado enquanto fazia a pastoricia do gado.....nos montes da serra da estrela.




NOTA DO AUTOR:lamento mas ainda hoje não foi possivel chegar à mesa de canto dos pequenos almoços e que não fica quieta no seu lugar.....(fica perto da janela que agora em vez de janela tem um plasma......)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

PATO BRAVO NO FORNO

Para cozinhar um bom pato bravo antes de mais é preciso saber escolhe-lo. Tem de ter aspecto de rico-saloio, exibir riqueza e acima de tudo ter umas belas penas.

Ingredientes:
- 1 Pato bravo;
- estagiários de arquitectura a gosto;
- Plantas qb;
- 200g de fachadas malucas;
- 500g de vãos especiais;
- 9 especialidades;
- 1 world geodésico;
- 1kg de materiais bonitos;
- 4 renders
- 1 Promotor especulativo.

Modo de preparção:

-1º Fase
Juntar o pato bravo ao promotor até obter uma boa mistura. Adicionar umas plantas qb e levar a lume brando. Após 2 dias adicionar os estagiários de arquitectura até obter cortes e alçados.

Após obter cortes e alçados separar os estagiários e juntar as fachadas malucas e vãos especiais levar a lume brando e adicionar os estagiárias até obter plantas. Repita o processo quantas vezes quiser até obter o gosto pretendido.

2ºFase
Juntar agora as 9 especialiadades. Esperar uns dias e juntar plantas, cortes, alçados e estagiários até sair plantas, cortes e alçados totalmente novos. Nesta fase é necessário retirar as fachadas malucas e vãos especiais que ja só estão a dificultar a vida e adicionar o world geodésico.

Levar ao forno durante dias e noites e ir juntando os materiais bonitos após peneirados.

Após estes dias e noites retirar do forno voltar tudo do avesso e por tudo de forma a que fique com bom aspecto custe o que custar. Tem de ser feito em uma directa, REGRA IMPORTANTISSIMA, porque o que é importante não é o gosto mas sim a imagem.

Servir em bandeja cromolux e acompanhar com os 4 renders. Se não sair bem repetir o processo até atingir o gosto pretendido. Após atingir o gosto pretendido retirar os estagiários de arquitectura e guarda-los para o proximo pato bravo no forno.

Enchemos chouriços, morcelas, linguiças e outros derivados porcinos

Projectamos magníficos e suculentos pedaços de carne, devidamente desenhados e cotados qb.
Em seguida são sabiamente organizados em magnificas tripas largas do mais limpo intestino grosso, dimensionado por nós com o aval das especialidades.
O posicionamento dos espaços é devidamente esquissado evitando bolsas de ar e circulações desnecessárias. Sempre que necessário conseguimos adaptar o belo chouriço de carne a um chouriço de sangue adicionando apenas o sangue do porco e aparas menos vistosas. Este passará incólume pelo olho mais experiente dos profissionais que avaliam a qualidade do produto. Mas, se mesmo assim a solução lhes parecer desadequada, envolvemos a solução final com uns verdejantes grelos que dissimulem a volumetria grotesca do enchido.
Conseguimos também comprovar que a cor negra do enchido atenua impacte que este tem sobre olhares mais susceptíveis, aliás, temos o orgulho de ter patenteado este sofisma.
Vimos inovando ao longo dos anos e hoje podemos mostrar a nossa Pièce de résistance: a bocha. Enchido de aparência esponjosa composto por brilhantes pedaços de pulmões e traqueia, devidamente desenhados e cotados qb, cortados em pedaços e misturados com outros bocados de carne. Como é apanágio nosso, de seguida são sabiamente organizados em magnificas tripas largas do mais limpo intestino grosso, dimensionado por nós com o aval das especialidades.

Cheira a sexo na Patolândia

Cheira a sexo na Patolândia
Parte terceira

Dostoiévski joga com o limiar da liberdade do homem e com a possível redenção pelo crime. No seguimento da nossa história o jovem e rebelde Raskolhnikov vê como solução para a decadência da sua família a morte da abastada Aliona Ivanovna. Na versão dos patos, a história termina com a despedida Raskolhnikov, diante duma Aliona destroçada. O amor que os uniu separou-os por uns anos.

"There is no world without Verona walls, But purgatory, torture, hell itself. Hence-banished is banish'd from the world, And world's exile is death: then banished, Is death mis-term'd: calling death banishment, Thou cutt'st my head off with a golden axe, And smilest upon the stroke that murders me"(William Shakespeare)

Anos depois, já em Verona, os amantes reencontram-se. Ele, agora Romeão e ela Julhiêta.... Julhiêta já casada com Corpuleto vive um amor proibido com Romeão. Os lances deste amor fadado à morte e a obstinação dos pais sempre exaltados que teve fim naquela triste sorte.

JULHIÊTA: Quem és tu que, vestido de noite, descobres os meus segredos?
ROMEÃO: Amo-te.

JULHIÊTA: Romeão, Romeão! Ah! por que és tu Romeão? Renega o pai, despoja-te do nome; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Corpulenta deixarei de ser logo.
ROMEÃO: Amo-te.

JULHIÊTA: Sabe-lo bem: a máscara da noite cobre-me agora o rosto; do contrário, um rubor virginal pintar-me-ia, de pronto, as faces, pelo que me ouviste dizer neste momento. Desejara – oh! minto! – retratar-me do que disse. Mas chega! Chega de formalidades! Amas-me? Sei que vais dizer-me "sim", e creio no que dizes. Se o jurares, porém, talvez te mostres inconstante, pois dos perjúrios dos amantes, dizem, que deverás sorrir. Ó meu gentil Romeão! Se amas, proclama-o com sinceridade; ou se pensas, acaso, que foi fácil a minha conquista, vou tornar-me ríspida, franzir as minhas grossas sobrancelhas e dizer "não", porque me faças novamente a corte. Se não, por nada, nada deste mundo. Belo Montecchio, é certo: estou perdida, louca de amor; insaciada, virgem de alma e de trás, daí poderes pensar que o meu procedimento é assaz leviano; mas podeis crer-me, cavalheiro, que hei-de mais fiel mostrar-me do que quantas têm bastante astúcia para serem cautas. Poderia ter sido mais prudente, preciso confessá-lo, mostrei demasiado a todos que até Páris percebeu (Parente nobre de Escalo) e apressou-se a contar a Escalo (príncipe de Verona), se não fosse teres ouvido sem que eu percebesse, minha veraz paixão. Assim, perdoa-me, não imputando à leviandade, nunca, meu abandono pronto, descoberto tão facilmente pela noite escura.
ROMEÃO: Amo-te.

JULHIÊTA: Em Tebalda e Gregória (empregadas de Escalo) podereis confiar! Mas temo todos os outros Montecchios! Temo que vejam a indumentária íntima, floreada e 100% algodão, porque nela descansa o pajem que me arrebata, sacia e trespassa as entranhas.
ROMEÃO: Amo-te. Juro!

JULHIÊTA: Pára! não jures; muito embora sejas toda minha alegria, não me alegra a aliança desta noite; irreflectida foi por demais, precipitada, súbita, tal qual como o relâmpago que deixa de existir antes que dizer possamos: Ei-lo! brilhou! Boa noite, meu querido. Que o hálito do estio amadureça o meu botão do amor, para que possa numa flor delicada transformar-se, quando a desflorares. E que da manhã possas ter a mesma calma que neste instante se me apossa da alma.
ROMEÃO: Já te tinha dito que te amo?

A REVOLUÇÃO SILENCIOSA DA MINHA ARQUITECTURA

O voo tinha sido extenuante ...os poços de ar ... a aterragem quase que tinha sido amaragem..... o check in para esquecer.... as malas que foram parar sei lá onde.... nada mais me restava que o aconchego daquele novo hotel em que me tinha sido oferecida a estadia tudo isso a troca de um projecto de vermelhos e amarelos que desenhara de borla assim como a pressão que tive de fazer no meu chefe para pôr os cinco quartos clandestinos na cobertura do edificio (só mais tarde nos lembramos que não se tinha previsto isolamento termico,,,,) e como tal iria ter a devida recompensa!!!!! 5 dias à borla na famosa perola do atlantico....respirei fundo e avancei...iria ficar na penthouse do 9 andar pois ainda estavamos na época baixa e como tal não havia clientes pagantes tudo isto com jakuse e cesto de fruta para boas vindas!!!!! (sabia mesmo a pato!!!!!)

Chegado à cota do piso e perante a porta que já apresentava uma fissura em toda a altura (não percebi como aquilo aconteceu??????na certa não dou mais trabalhos aquele fornecedor da vila velha o gajo é aldrabão e a comissão que me prometeu ainda não ma pagou!!!!! f........###$#
o melhor é esquecer

A porta abriu-se que espanto!!! a vista de mar foi-se ,,,tinha um predio em frente??? queres ver que orientei mal a planta!!!!tenho andado desorientado ( só penso na promoção...o velho não se chega à frente) então o norte não é sempre acima no desenhos????alguem me virou a folha e não disseram nada....ha!!!arquitectos estagiarios f..##$$ quando voltar levam todos uma pissada....co..#"% da mãe oh! (IDEIA LUMINOSA) póe-se um video na janela e o cliente não dá por nada ondas do mar e gajas boas em topless... boa que rica ideia sou mesmo bom eheheheh!!

NOTA DO AUTOR: neste momento o jovem arquitecto que suava por todos os poros com tanta inquietação e desconforto descansou relaxou e num momento de alta introspecção sorriu levemente com esgares de total ausencia de pensamento e achou que era o melhor do mundo com aquela magna ideia....e rapidamente decidiu acabar com tudo o que era janelas (acabam-se o mapas de vãos que tanto trabalho dão) e passa tudo a plasmas..brr brilhante era mesmo o futuro e a revolução da arquitectura neste pais...

bem ainda não passei do hall de entrada do quarto e já me perdi em considerações mas não percam a historia da mesa que nunca esta no lugar que eu defeni.....contrariedades da vida de um arquitecto..... me aguardem sou um vencedor.